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Um Brasil de oportunidades a serem exploradas

Consumo da pecan no mercado interno está muito aquém das possibilidades e precisa ser ampliado por meio da qualidade e do valor.


O Brasil hoje produz entre 6 e 7 mil toneladas de nozes-pecãs por ano, e o consumo interno da fruta gira em torno de 4,2 mil toneladas. Enquanto o consumo nacional anual dessas frutas descascadas é de 11 gramas por habitante, nos Estados Unidos, são 240 g/habitante. Se consideradas somente as classes A e B brasileiras (cerca de 35 milhões de pessoas com poder aquisitivo acima de 2 mil dólares mensais) e um consumo equivalente ao norte-americano, a produção em nosso país teria que ser mais do que o dobro do que é hoje. “As pecans brasileiras são desconhecidas para grande parte da população. Se temos um pequeno consumo interno, significa que temos um grande esforço para fazer na divulgação desse delicioso e versátil fruto e de suas propriedades nutracêuticas”, afirma o presidente do IBPecan, Eduardo Basso. Ele relata que a metade do consumo mundial de pecan está nos países que a produzem. Em relação à metade que é exportada, dois terços são vendidos sem casca e um terço com casca. Essa fatia com casca segue 80% para China. A intenção do Brasil a curto prazo seria exportar cerca de 3.000 toneladas de pecan com e sem casca (2% da exportação mundial).


Mas como o Brasil ainda não tem acordo comercial e sanitário com os chineses para venda de nozes com casca, as alternativas encontram-se estreitas no mercado externo. “Portanto, o mercado interno é muito importante para os produtores brasileiros”, destaca. Eficácia Segundo Basso, para que os pecanicultores brasileiros sejam mais eficazes na venda ao mercado interno, além de divulgarem os produtos manufaturados, devem assumir a necessidade de produzir com qualidade de nível internacional e colocar nas gôndolas dos supermercados uma fruta gostosa, fresca e com excelência na sua conservação.



“Os produtores com pomares em que se colhe acima de duas toneladas por hectare, fazendo os controles de qualidade recomendados e praticando os preços internacionais, estão otimistas e com bons resultados”, exemplifica. Acrescenta que os resultados seriam mais satisfatórios se os preços FOB fazenda fossem acima de R$ 18,00/ kg e, na venda de nozes-pe- cãs descascadas, acima de R$ 60,00/kg, valores praticados no mercado externo. “Para otimizar esses números no Brasil, devemos conhecer melhor nossos custos e ter melhores condições para vender nos melhores momentos, o que implica uso de câmaras frias para conservar os produtos previamente secos, limpos e selecionados por tamanhos. Além disso, parte de nossos pomares terá que receber mais sol, ter variedades ade- quadas ao nosso clima e re- gião, irrigação, podas e fertili- zação adequada”, lista.


Pilares Desde sua recente fundação, há quatro anos, o IBPecan tem trabalhado com seus associados três grandes pilares: produtividade, qualidade e valor. Nesse sentido, vem buscando e difundindo informações sobre boas práticas e firmando parcerias com órgãos e instituições, entre eles, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e universidades. A entidade também está cada vez mais próxima da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que desenvolvem em conjunto o Agro.BR, projeto que tem a missão de ampliar a pauta exportadora brasileira.


O IBPecan tem hoje em torno de 100 associados que colaboram com esforço e de dicação. Conforme Basso, em torno de 2.000 pecanicultores estão recebendo, direta ou indiretamente, os benefícios do trabalho desse pequeno grupo de abnegados.

Ele ressalta, no entanto, que é preciso maior adesão de produtores e novas lideranças no setor para que seja alcançado o cenário de produção e comércio de pecans almejado para 2030: sair dos 10 mil hectares da atualidade e chegar a 30 mil hectares, com um aumento de produtividade média dos pomares de 800 para 1.800 quilos por hectare.

Complementa que, nesse contexto, além de organizar os pecanicultores para que possam reunir suas produções com casca, limpar, secar, separar por tamanhos e variedades, embalar e conservar em câmaras frias para comercializar a fruta nos melhores momentos, é preciso ter uma indústria com visão de futuro.


“Uma indústria de beneficiamento que possa produzir, por exemplo, snacks saborizados de nozes, sucos, cremes, pães especiais e etc., muito além de só descascar e vender. Isso tudo dentro dos padrões de qualidade exigidos e certificados nos mercados internacionais. Antever esse futuro é um desafio para nossas indústrias junto com Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e SENAR”, frisa.






Eduardo Basso, produtor da Monte Belo e presidente do IBPecan.






Publicado em agosto/23 Boletim Informativo:

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