Pecanicultores qualificam-se para novos mercados

Seminário internacional promovido por Senar e IBPecan enfoca padrões de qualidade da Noz-Pecan


O I Seminário Internacional da Noz-Pecan – Desafios e Padrões de Qualidade para o Mercado Interno e Externo, uma promoção conjunta do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), ocorreu no dia 11 de março no auditório da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) em Porto Alegre/RS. E no dia 12, como sequência das atividades, o IBPecan realizou o I Curso Prático de Análise e Qualificação de Pecan com Casca e Descascada.


Dentro das restrições exigidas para controle da covid-19, os eventos alcançaram lotação máxima. Foram 75 participantes no primeiro dia e 50 no segundo, sendo públicos formados principalmente por produtores e por representantes da indústria de processamento da pecan e de técnicos ligados à cadeia produtiva.

Também estiveram presentes representantes do Senar, da Farsul, do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (SEAPDR), através do Programa Pró-Pecã. Além de estudantes de pós-graduação com tema na pecan da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).







Programação

A programação do seminário contemplou informações sobre os cuidados no pré e pós-colheita, como preparação da área, limpeza, secagem, classificação das nozes e embalagem. O conteúdo, portanto, englobou temas como classificação e amostragem da pecan para exportação, incluindo normas norte-americanas e mexicanas; classificação por qualidade, tamanho e cor; tolerância a defeitos, tipos de defeitos externos e internos, diferenciação de defeitos graves e leves; amostragem de qualidade para exportação, em que são determinados tamanho, percentual e tipo de defeitos externos e internos e a umidade – informações que compõem o certificado para exportação denominado Pecan Nuts Quality Report – Informe de Qualidade de Nozes para Exportação.


Um dos palestrantes convidados foi o reconhecido engenheiro agrônomo argentino Mariano Marcó. Ele atua como consultor técnico na cultura da pecan, em atividades de assistência técnica a pomares tanto na fase de produção quanto de colheita e pós-colheita. Também faz trabalhos de certificação de nozes para exportação para produtores da Argentina há muitos anos, sendo um profundo conhecedor do tema.


Já o diretor da Delta Comex, Diego Milanich, licenciado em comércio exterior, falou sobre a experiência argentina com exportação. Por sua vez, o coordenador de Novos Mercados do IBPecan, o técnico em química e agente de exportação Eduardo Basso, da São Miguel Comércio e Participações, abordou os desafios e as oportunidades para o Brasil. No dia seguinte, durante o curso prático, os participantes puderam testar a aplicação do conhecimento recebido no dia anterior e tirar as dúvidas com os palestrantes que acompanharam os dois eventos.





Grande êxito

O presidente do IBPecan, Demian Segatto da Costa, ressalta o grande êxito da iniciativa, seja por retomar as atividades presenciais após um longo período de distanciamento em função da pandemia, seja pela importância técnica dos eventos, que focaram no aspecto de qualidade. Ele lembra que o Instituto existe desde 2018 e que os primeiros anos de atividades foram dedicados a melhorar a produtividade dos pomares. Agora, o seminário e o curso prático estrearam um novo momento do setor no qual os produtores da pecan se voltam para qualidade, padronização e agregação de valor à produção da fruta.


Complementa que, ao adotar um padrão de qualidade e corresponder à expectativa do consumidor por um alimento premium, o setor conseguirá fidelizar os consumidores e acessar novos mercados, inclusive os exigentes mercados internacionais, destino do excedente da produção após o abastecimento do mercado interno. “Atingirá, também, um resultado concreto em relação ao valor de comercialização da fruta, uma vez que o mercado internacional tem preços mais estáveis e mais interessantes para o produtor”, ressalta.


Troca de experiência

Demian ainda destaca que a iniciativa foi uma oportunidade de troca de experiência entre os produtores e a indústria. “A convivência entre os elos produtivos é algo muito importante. Por exemplo, o produtor tem a oportunidade de expor para o viveiro o que ele precisa para aumentar a produtividade, fitossanidade, desenvolvimento adequado e genética nas mudas disponibilizadas; e a indústria, por sua vez, pode apresentar para o produtor as melhorias em relação à qualidade que podem influenciar tanto na aceitação quando no valor de compra da produção. Essa conversa entre todos os elos é algo extremamente saudável para todo setor”, observa.


Frisa, também, que os eventos contemplaram todos os interessados no setor da pecanicultura. “E a avaliação é extremamente positiva e deixa para nós a missão de continuarmos organizando e realizando outros cursos para propagar esse conhecimento já formado e atender a outras demandas da cadeia produtiva”, antecipa.


Trabalho conjunto

Outra importância dos eventos apontada pelo presidente do IBPecan é a aproximação do produtor de pecan brasileiro com os produtores, os técnicos e a indústria argentina e uruguaia da fruta. “Uma vez que nós temos desafios não só de qualidade, mas também em relação ao volume de produção, certamente teremos mais condições de competirmos no mercado internacional caso se consiga estabelecer uma região sul-americana produtora de pecan”, comenta.


E conclui afirmando que uma produção de pecan da região sul-americana, na qual produtores brasileiros, argentinos e uruguaios possam ter o mesmo objetivo e trabalhar conjuntamente, é uma missão pela qual o IBPecan tem se mobilizado para consolidar.





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