Brocas da nogueira-pecã: duas espécies de esculitíneos são pragas no sul do Brasil

O ataque desta praga ocorre na primavera e no verão, devido as condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do inseto.


Os esculitíneos são insetos da ordem Coleoptera, subfamília scolytine, fazem parte da entomofauna nativa e apresentam significativa importância para a manutenção processos biológicos em ecossistemas naturais. Entretanto, em determinadas situações, podem atacar cultivos agrícolas e florestais, como pomares de nogueira-pecã, tornandose um inseto-praga indesejado. Tendo em vista o número elevado de pomares atacados por estes insetos, e seu potencial de dano, este informativo técnico tem por objetivo divulgar maiores informações sobre esta praga, seu comportamento e possíveis formas de manejo em pomares de nogueira-pecã.


Os esculitíneos são pequenos besouros broqueadores, também são conhecidos como besouro-da-ambrosia ou besouro-da-casca, que medem cerca de 3 mm de comprimento e tem coloração marrom. Estes insetos identificam as plantas hospedeiras

por meio de substâncias químicas voláteis emanadas pelas plantas, preferencialmente

com metabolismo anormal, ou seja, uma planta estressada. A partir da primeira colonização, feromônios de agregação produzidos pelos insetos pioneiros atraem novos

indivíduos.



No sul do Brasil, foram descritas duas espécies de esculitíneos associadas a nogueira-pecã, Xyleborus retusus e Xyleborus ferrugineus. Estas duas espécies caracterizaram-se por atacar, preferencialmente, plantas de nogueira-pecã que apresentavam condições anormais de desenvolvimento, doentes, injuriadas ou que estejam sob estresse. Vale destacar que na maioria das ocorrências, houve relação com práticas de manejo ou condições edafoclimáticas inadequadas as quais deixaram a planta suscetível, criando as condições adequadas para o seu ataque.


Os sinais do ataque dessa praga caracterizam-se pela presença de pequenos orifícios no tronco da planta, acompanhados de serragem e/ou escorrimento de seiva. Na parte interna do tronco, os insetos adultos realizam a abertura de várias galerias, onde instalam-se para reprodução. Esses insetos não se alimentam diretamente da madeira, apresentam hábito xilomicetófago, ou seja, inoculam um fungo simbiótico na planta hospedeira, do qual se alimentam. Uma vez inoculado o fungo, ele se desenvolve rapidamente, obstruindo o sistema vascular e degradando o tecido vegetal, causando a

morte da árvore, que ocorre, geralmente, após duas a quatro semanas. Outros sintomas típicos dessa praga são o murchamento súbito das folhas e o escurecimento dos tecidos (xilema e floema) acompanhados de um forte odor de fermentado, ocasionado pela degradação dos tecidos vegetais.


Dentro das galerias, o inseto coloca seus ovos dando origem a larvas de coloração esbranquiçada, as quais se alimentam do fungo simbionte até atingir a vida adulta. Nas galerias, é possível observar a presença de ovos, larvas e adultos ao mesmo tempo. Ao atingir a fase adulta, o inseto procura novas plantas hospedeiras, carregando consigo o inóculo do fungo. O ataque desta praga ocorre na primavera e no verão, devido as condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do inseto.


A principal prática de manejo desta praga é proporcionar um desenvolvimento saudável às plantas, aplicando a adubação correta, fazendo plantios em solos adequados, adotando menores densidades de plantio, realizando podas corretas e na época certa, entre outras. A fitotoxidez por uso inadequado de agroquímicos também deixa as plantas susceptíveis à praga. Salienta-se que após o ataque, a eliminação do inseto não garante a sobrevivência da planta, pois, uma vez o fungo simbionte inoculado, ele continuará degradando os tecidos da planta.


Por fim, salienta-se que a presença da praga nas plantas pode ser um indicador de estresse e de alguma prática de manejo do pomar inadequada.


POLETTO, T., COSTA, E. C., MACHADO, D. D. N., SILVA, J. M. D., PERINI, C. R., MUNIZ, M.

F. B. Scolytinae species damaging Carya illinoinensis trees in southern Brazil. Revista

Ceres, v. 67, n. 2, p. 147-151, 2020.


Autoria:

Tales Poletto - Universidade Federal de Santa Maria

Igor Poletto - Universidade Federal do Pampa



Publicado em 12 de novembro de 2020.



Artigo disponível para download:

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