Artigo :A pecanicultura é um porto seguro

É importante ter bons e honestos profissionais atuando na escolha de boas mudas, no manejo dos pomares e nos custos.



Em outubro de 2019, o FMI já alertava sobre a crise financeira. Segundo os arautos das crises, não se sabe onde estão guardados cerca de 60 a 70% do total de dólares emitidos. Os Estados Unidos importam mais do que exportam e gastam mais do que arrecadam. Estima-se um crescimento econômico mundial negativo de -5,5% (projeções Redwood). Com a pandemia os países emitiram mais dívida e no Brasil a agenda liberal foi postergada, câmbio, juros e inflação são perguntas recorrentes.


O investidor, que busca investimentos de longo prazo, percebe que o dólar não é um porto tão seguro. O ouro se valorizou, alimentos com alto consumo se mantêm em alta e terras seguem sendo interessantes. Aumenta a procura por um estilo de vida simples, com sustentabilidade, onde as pessoas se sintam valorizadas, seguras e livres. Ter uma casa no interior com um pomar, horta e galinheiro ficou interessante. Como nossos imigrantes, mas agora com energia solar e internet, o êxodo é urbano.


Os investimentos em pomares de uva e de maçã são enormes. Já existem departamentos da Embrapa para estas culturas. O IBPecan está fazendo acordos com os centros de pesquisas e universidades para pesquisar produção e custos. A potencialidade da pecanicultura é enorme. Não será a miopia de poucos que vai atrapalhar o potencial espaço que o Brasil pode ocupar no contexto internacional.


É importante ter um plano de negócios, para isso, elaboramos uma estrutura dos investimentos até o ano VI e dos custos operacionais na sequência. Na pecanicultura, o faturamento começa a ser interessante no sétimo ano. É importante conhecer o valor do investimento dos seis primeiros anos e o custos de produção do sétimo ano em diante. A viabilidade econômica e sua competitividade têm muito a ver com o tamanho da propriedade. A produtividade tem tudo a ver com a qualidade das mudas e da sua implantação, com a irrigação e com o grau de profissionalismo e o uso de tecnologias atuais. Estabelecemos os valores e as produtividades que entendemos serem factíveis de acordo com a experiência de técnicos e empresários já estabelecidos. O valor do investimento é significativo. Para uma área de 100 ha, irrigada (incluindo o custo da terra), estimamos investimento acumulado de USD 22.000,00 por ha até o ano VI. O custo por quilo produzido muda de acordo com a produtividade e o ponto de equilíbrio de acordo com o preço de venda. Procuramos demonstrar a rentabilidade, o retorno do investimento e ponto de equilíbrio. É um caso hipotético, cada produtor tem suas particularidades que devem ser utilizadas para que suas projeções sejam mais realistas, sempre reforçando que o que não se mede, não se administra.


Este quadro mostra a importância de ter a produtividade acima de 1.500 quilogramas por hectare e o impacto da variação dos preços de venda em dólar. Procuramos nos basear na experiência de quem arrisca seu capital e não na conversa dos vendedores de sonhos. Assim, me parece recomendável uma discussão criteriosa e realista com casos reais de sucesso.

''O IBPecan tem como missão “gerar, fomentar e disseminar o conhecimento técnico sobre a noz pecan, de práticas rentáveis e ecologicamente corretas. Convergir interesses com perspectivas de futuro, criando valor para seus associados ao fortalecer a cadeia produtiva e divulgar os benefícios para a saúde e a versatilidade da pecan “.

A diretoria do Instituto, junto com o MAPA, APEX, FIERGS e os adidos agrícolas de 14 embaixadas brasileiras, está fazendo um grande esforço para tornar conhecida a pecan brasileira. Seguem negociações com o governo chinês na busca da abertura deste mercado. A parte técnica está praticamente concluída. Agora o assunto é político. Nos últimos 10 anos, a produção mundial aumentou 30% e as exportações cresceram 60%. Este mercado existe. A safra de 2025 já foi plantada. Estimamos que a área de produção em 2025 possa atingir 10.000 ha.


As importações das nozes chilenas ou de pecans da Argentina interferem na formação dos nossos preços de vendas. A questão tributária é vital. Examinando os detalhes de cada cenário é mais fácil entender as tarefas a realizar. Recentemente os preços internacionais caíram 20%. É importante ter bons e honestos profissionais atuando na escolha de boas mudas, no manejo dos pomares e nos custos. Temos que compartilhar as boas e más experiências. Uma vez seguros com a produção, vamos superar as incertezas e realizar projetos na dimensão do Brasil. Mesmo sendo um segmento pequeno sonhamos grande e não seremos omissos. Necessitamos demais do apoio do SENAR e FARSUL, o que deve acontecer em breve.

''Saliento que o mercado mais importante que temos é o nacional, almejado pelos nossos vizinhos e com grande potencial para crescer. Serão importantes ações com SENAI e SENAR para desenvolver novos produtos, sistemas de produção e mercados. Seria um grande bem tornar o consumo de nozes pecan um hábito cotidiano, com um consumo diário de 10 gramas, como o café''.

Os resultados não vão acontecer por acaso, terão que ser alcançados. São mais de 1.500 produtores de nozes pecan, onde menos de 100 produzem mais da metade do volume total. Vemos a importância de organizar o setor e o IBPecan é o organismo de vinculação e de geração de mudanças. Alguns se destacam no esforço para todos. Não existe sucesso individual.



Por: Eduardo Basso – Conselheiro Fiscal do IBPecan





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