Adubação de base no desenvolvimento inicial de mudas de nogueira-pecan

Atualizado: 19 de ago. de 2021

O pecanicultor, ao dar início a um pomar, precisa ter bem esclarecidos os critérios e as características que as mudas utilizadas devem possuir para obter sucesso na implantação.


As mudas são o mais importante insumo a ser adquirido pelo produtor. Conforme Zaccheo (2013), para obter alta produtividade e frutos de qualidade, é necessária a utilização de boa técnica de formação de mudas, pois se estima que 60% do sucesso de uma cultura está em implantá-la com mudas de qualidade. Assim, sua escolha, juntamente com boa correção de solo e bom manejo geral, vai influenciar diretamente no teto produtivo, na velocidade da entrada em produção e consequentemente no retorno do investimento.


Para Carneiro (1995), os principais parâmetros que determinam a qualidade das mudas são a altura, o diâmetro do colo, o peso da parte aérea e das raízes e as correlações entre esses parâmetros. Com isso, uma boa muda de raiz nua de nogueira-pecan (Carya illinoinensis) deve possuir um bom calibre, 25 milímetros acima do enxerto, um bom volume de raízes, 40 centímetros de comprimento e em quantidade proporcional à sua altura, além de ser livre de pragas e doenças e não possuir lesões.


Os fertilizantes de liberação lenta e controlada podem ser divididos em dois grupos mais importantes disponíveis no mercado de acordo com o seu processo de produção: produtos de condensação de ureia-aldeídos (fertilizantes de liberação lenta) e fertilizantes revestidos ou encapsulados (fertilizantes de liberação controlada) –Trenkel, 2010. O termo fertilizante de liberação controlada deve ser utilizado quando se conhece o padrão, a taxa e a duração da liberação do nutriente, sendo possível controlar essas variáveis durante a fabricação do fertilizante (Shaviv, 2005). Já para os fertilizantes de liberação lenta, não há conhecimento desses parâmetros; eles são influenciados pelo solo e pelas condições climáticas, não podendo ser previstos no tempo, apenas liberam o nutriente em ritmo mais lento do que um fertilizante de referência de liberação imediata, como a ureia (Shaviv, 2005).


Fertilizante de liberação controlada é o termo utilizado para a duração da liberação dos nutrientes em um intervalo de tempo conhecido. Nesse sentido, conforme citado por Garcia, 2017, esses fertilizantes têm como vantagem a aplicação em dose total, realizada em uma única vez, fornecendo o nutriente de forma controlada ao longo do tempo. Em contrapartida, o termo liberação lenta é empregado para a liberação dos nutrientes dependentes de fatores climáticos, não sendo previsto pelo tempo cronológico. Segundo Sgarbi et al (1999), os fertilizantes de liberação lenta possuem uma resina orgânica ao redor dos grânulos que controla a saída dos nutrientes para o meio. Sendo assim, a umidade penetra na resina que envolve o fertilizante, solubilizando os nutrientes em seu interior.


Em função da diferença de concentração entre a solução do meio e a do interior dos grânulos, os nutrientes são liberados de forma gradual. Essa liberação é diretamente proporcional à temperatura e à umidade do substrato, sendo mais rápida na medida em que temperatura e umidade se elevam.

Fertilizantes de liberação controlada podem ser utilizados de forma conjunta ou isolada nos grânulos e normalmente apresentam um padrão sigmoidal de liberação do nitrogênio. Nesses fertilizantes, a camada de S impede o contato físico da água com a ureia no interior do grânulo, influenciando sua liberação para o solo.


Geralmente, a liberação do nutriente ocorre quando algum fator de intemperismo, como variações de temperatura, forças mecânicas, agentes químicos, entre outros, age sobre o revestimento rompendo-o, o que permite a entrada de água e dissolução do fertilizante no núcleo do grânulo, disponibilizando-o para o solo (Cancellier, 2013). Essa liberação também depende da espessura do revestimento e da qualidade do processo de revestimento por parte da indústria de fertilizantes (Trenkel, 2010). Se houver imperfeições no revestimento dos grânulos de ureia que permitam a entrada de água, o N pode ser liberado quase instantaneamente, perdendo seu objetivo. Devido às frequentes imperfeições no revestimento de enxofre, uma camada adicional de polímeros tem melhorado o padrão de liberação do nitrogênio.


No presente trabalho, tivemos a utilização de dois produtos, sendo um deles um fertilizante sem uma tecnologia embutida e um segundo produto com uma tecnologia de liberação controlada dos nutrientes.


MATERIAIS E MÉTODOS


O presente trabalho foi realizado no período de agosto de 2020 a maio de 2021 em uma área destinada à produção de mudas de nogueira-pecan.

O preparo do solo foi realizado de acordo com a interpretação e recomendação dos níveis de fósforo, potássio e pH indicadas por análise de solo. Foram adicionados 450 quilos de P2O5, 180 quilos de K2O, 11 toneladas de calcário e 10 toneladas de adubo orgânico por hectare. Esses nutrientes foram incorporados com auxílio de subsolador e grades. Após a incorporação, foram construídos canteiros com 60 centímetros de largura e 20 centímetros de altura nos quais foram semeadas as nozes devidamente estratificadas e escarificadas e espaçadas 30 centímetros entre sementes e 40 centímetros entre fileiras. Em cada canteiro, foram semeadas 120 sementes de nogueira-pecan.


O tratamento utilizado foi de 30 gramas de Basacote® Starter BR, um fertilizante membro da linha de fertilizantes com liberação controlada de nutrientes, por meio do recobrimento completo dos grânulos por cova junto à semeadura das nozes a qual foi realizada em 15 de agosto de 2020. Após seis meses da semeadura, em 3 de fevereiro de 2021, foram avaliados o crescimento da parte aérea e o diâmetro de tronco das mudas. A fertilização de crescimento foi feita semanalmente via fertirrigação por gotejamento de maneira igual para os dois tratamentos.








Foram selecionados dois canteiros lado a lado, um com Basacote® na base e um sem adubação com este fertilizante. Em cada canteiro dos tratamentos, foram avaliadas 30 mudas, nas quais foi feita a medição do comprimento total e diâmetro do tronco. Os resultados são expressos abaixo.







Figura 1 - Valores médios para comprimento em cm e diâmetro em mm de mudas de nogueira-pecan



O comprimento foi medido da superfície do solo até o meristema apical de cada muda; já o diâmetro foi medido a 10 centímetros de altura do solo. De maneira geral, as mudas nas quais foi utilizado o fertilizante de liberação controlada obtiveram melhores resultados. Em média, as mudas com Basacote® cresceram 30,1centímetros contra 23,6 centímetros das mudas sem o fertilizante. Já para o diâmetro, as mudas com Basacote® tiveram 7,5 milímetros contra 5,9 milímetros.






Figura 2 - Testemunha na esquerda Figura 3 - Detalhe da raiz com presença do

e Basacote® na direita. fertilizante.



CONCLUSÃO

O uso do fertilizante de liberação controlada promoveu melhor o desenvolvimento inicial em mudas de nogueira-pecan, resultando em maior altura de muda e diâmetro de tronco.




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Publicação patrocinada pela Compo Expert.



Autor: Ícaro Borges Tavares - Engenheiro Agrônomo e Associado Técnico IBPecan

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E-mail: Icarob.tavares@yahoo.com.br



Referências:


ALMEIDA, L, V. B.; MARINHO, C. S.; MUNIZ, R. A. M.; CARVALHO, A. J. C. Disponibilidade de nutrientes e crescimento de porta-enxertos de citros fertilizados com fertilizantes convencionais e de liberação lenta. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 34, n. 1, p. 289-296, 2012.


CANCELLIER, E. Eficiência da ureia estabilizada e de liberação controlada no milho cultivado em solo de fertilidade construída. 2013. 75 p. Dissertação (Mestrado em Ciência do Solo) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2013.

CARNEIRO, J. G. de A. Produção e qualidade de mudas florestais. Curitiba: UFPR/FUPEF; Campos: UNEF, 1995. 451 p.


SHAVIV, A. Controled release fertilizers. In: IFA INTERNATIONAL WORKSHOP ON ENHANCED-EFFICIENCY FERTILIZERS, 2005, Frankfurt. Proceedings... Frankfurt: IFA,2005.Disponível em: <http://www.fertilizer.org/ItemDetail? iProductCode=7968Pdf& Category=AGRI&WebsiteKey= 411e9724-4bda-422f-abfc-8152ed74f306>. Acesso em: 10 fev. 2017.


TRENKEL, M. Slow- and controlled-release and stabilized fertilizers: an option for enhancing nutrient efficiency in agriculture. 2nd ed. Paris: International Fertilizer Industry Association, 2010. 163 p.


WENDLING, I.; ARAÚJO, M. A. Fertilização de liberação controlada no crescimento inicial de angico-branco. Scientia Agraria, Curitiba, v. 9, n. 2, p. 167 - 176, 2008.

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